“Tudo junto e misturado” – Porque não devemos misturar as finanças pessoais com da propria empresa

 

Hoje irei falar um pouco sobre um erro muito comum que muitos cometem na gestão do próprio negocio: misturar as finanças.

Quem leu meus posts anteriores deve saber que meus pais já foram donos do próprio negocio a anos atrás. Meu pai sempre foi um excelente vendedor, e conhecia tudo do mercado em que atuava. então em conversa com amigos, decidiu abrir uma loja bem no centro da cidade (interior de São Paulo). Tinha tudo para dar certo: produto de qualidade, preço acessível, localização excelente e baixo custo de operação.

Entretanto nem meu pai nem minha mãe possuíam qualquer conhecimento de gestão financeira. O contador se restringia a reportar os livros para o Fisco, sem qualquer analise ou crivo. Nenhuma consultoria ou conselho. Dessa forma, durante os anos que seguiram presenciem o que hoje considero um sacrilégio do mundo do empreendedorismo: considerar o caixa da empresa como uma extensão da sua carteira pessoal.

“Mãe, compra um sorvete?”, pedia meu irmão. “Claro filho deixa eu pegar R$5 aqui no caixa”. Dinheiro da empresa é da empresa. Toda e qualquer retirada deve ser devidamente registrada nos livros (contábil). Agindo da forma que meus pais agiam, ao final do mês, não tinham ideia do lucro da empresa! A gestão de caixa era praticamente inexistente. Não possuíam gestão de fluxo de caixa. Quando chegava uma conta para pagar, simplesmente pegavam dinheiro do caixa e pagavam.

Após quase dois anos um colega finalmente deu um conselho para meu pai e vendeu um computador com um sistema de planilhas para que ele pudesse controlar, entre outras coisas, o fluxo de caixa. Infelizmente era tarde demais. Meses depois meus pais se viram num mar de dividas, entre outros problemas.

Desde minha primeira experiência como empreendedor, ainda no Brasil, procurei manter tudo o mais separado possível: conta corrente, caixa, controle financeiro.

Ok, mas nosso negocio, nosso dinheiro, certo? Claro, porem as retiradas devem ser formalizadas através do pagamento de dividendos (retiradas) ou salário (Pró-labore).

  • Dividendos (distribuição de lucros) de pequenas empresas no Brasil são isentos de impostos de renda e devem ser declaradas em “Rendimentos Isentos e não tributáveis”, campo 13 (Rendimento de sócio ou titular de microempresa ou EPP optante pelo Simples Nacional).
  • O salário (Pró-labore) deve ser declarado em “Rendimento tributáveis recebidos de pessoa jurídica”.

Como no Brasil existe a possibilidade de se recolher INSS como contribuinte individual sem necessariamente receber salário, e principalmente pelo fato do Simples não permitir abater despesas para apuração do imposto pessoa jurídica, a melhor forma de se retirar lucro do próprio negocio é através da distribuição de lucros pois não é necessário recolher imposto sobre salário (no caso de optantes do Simples, 8% de FGTS).

Outro benefício ao se manter a gestão financeira da empresa separada da pessoa física, é a possibilidade de conseguirmos apurar exatamente qual a lucratividade do negocio, o que torna-se importante não apenas na gestão financeira mas principalmente no momento em que decidimos vender a empresa.

Quando eu comprei minha franquia no Brasil, o dono anterior não tinha um controle efetivo pois claramente misturava gastos pessoais na empresa, isso me permitiu barganhar na hora de acertar o preço de compra. Em contra-partida, no momento em que decidi vender o negocio, minhas planilhas e controles financeiros estavam “limpos” e não havia qualquer margem para discussão.

Para aqueles que já empreendem, como vocês gerem as finanças da empresa?

10 comentários sobre ““Tudo junto e misturado” – Porque não devemos misturar as finanças pessoais com da propria empresa

    1. executivoinvestidor

      Olá FR! Alterei o texto para ficar mais claro. O “salário” do dono seria o Pró-labore, porém sobre esse valor recai INSS e IR, já a distribuição de lucros é isenta de IR.
      Abraço!

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  1. Daniel

    Excelente post Executivo, esses “pequenos” detalhes, de tornar mesmo que um pequeno negócio em algo profissional e mais gerenciavel na verdade fazem toda diferença.. E é engraçado que são os mesmo termos de grandes empresas (dividendos, lucro, payout, divida liquida, bruta etc…) Executivo, voce sabe a respeito de um CNPJ que administra imoveis, como funciona a parte tributaria?

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    1. executivoinvestidor

      Olá Daniel! Concordo com você. Acho que às vezes eu até exagero um pouco no nível de profissionalismo que tento replicar na minha empresa, acho que por ter trabalhando tantos anos como gestor financeiro em multinacionais me fez ter um olhar bastante crítico e estratégico.
      Não sei no Brasil como funciona tributação para empresa administradora de imóveis, no Canadá tenho um bom conhecimento pois foi uma opção que pensei para o período pós-fire mas deixei de lado devido aos preços surreais dos imóveis por aqui. Procura na internet que deve ter algo, eu gosto do Portal Tributário. Possui uma linguagem simples mas bem direta.
      Abraço!

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    1. executivoinvestidor

      Olá Cowboy! Não só já assisti como sou fã desse programa. O pior é ver que muitos dos erros poderiam ser evitados com uma consultoria ou mesmo estudo antes de empreender!
      Abraço!

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