Empreender no Brasil

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Durante toda minha vida, sempre busquei forma alternativas (dentro da lei claro!) de gerar renda a fim de encurtar o caminho para a sonhada independência financeira. Um dos primeiro livro que li sobre finanças pessoas foi “Pai Rico Pai Pobre”. Excelente livro para abrir a mente de quem esta começando. Esse livro me inspirou de muitas decisões durante minha vida e recomendo fortemente.

Meus primeiros anos de vida adulta foram focados em basicamente duas frentes: meu trabalho e meus investimentos financeiros que me geravam renda passiva. O objetivo era claro: utilizar o primeiro para financiar o segundo, de modo que mais “dinheiro” trabalhasse para gerar mais “dinheiro”. Estava traçado o plano para independência financeira!

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O resultado foi rápido: com uma taxa de poupança de 70-75% ao longo dos anos me fizeram conquistar meu primeiro milhão de reais aos 31 anos. A independência financeira veio em seguida, aos 32 anos, quando minha renda passiva já cobria minhas despesas. Nos anos que seguiram permaneci com o mesmo foco, estabelecendo sempre metas de curto e longo prazo (leia meu post sobre metas aqui).

Uma de minhas metas de longo prazo, estabelecidas logo nos primeiros anos de trabalho foi: “Empreender após se tornar independente financeiramente”

Após atingir a independência financeira comecei a efetivamente planejar minha vida de empresário. Vou compartilhar aqui alguns pontos que considero como primordiais para quem busca empreender no Brasil, bem como os desafios que encontrei durante o processo. Lembro que são minhas percepções com base na minha experiência.

Antes de mais nada: você tem perfil de empresário?

empresario

Algumas pessoas simplesmente não nasceram para ter o próprio negocio! Meu pai por exemplo: sempre foi um “empreendedor” nas empresas em que trabalhou. Buscava soluções inovadoras, cuidava muito bem da própria agenda, tinha um ótimo relacionamento com colegas, chefes e clientes. Entretanto esse perfil, considerado excelente para muitas empresas, não foi suficiente para que ele tivesse sucesso em seu negócio. O detalhe: meu pai sempre trabalhou com varejo, e abriu uma loja no centro da cidade. Tinha tudo para dar certo porém, a falta de capacidade administrativa e financeira, alem de uma péssima gestão e controle de estoque o levou a fechar a loja no prejuízo.

Não existe uma resposta simples para a pergunta acima, porém o que eu fiz foi avaliar o seguinte:

  • Tenho habilidades de administração e conhecimento financeiro básico?
  • Consigo liderar e motivar pessoas? (lembre-se que se será seu próprio RH!)
  • Tenho conhecimento do mercado e setor em que a empresa atua?
  • Estou disposto a abrir mão de ferias programadas, horário de entrar e sair? (Bom, esta certo que eu como Executivo não tinha horário para nada!)
  • Estou disposto a aprender coisas novas?

Essas perguntas não são exaustivas e nem comprovadas cientificamente, porém me ajudaram a toda a decisão de seguir em frente!

Decidido a empreender, existem outras questões a serem respondidas.

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  • Franquia ou marca própria?
    • Antes mesmo de escolher o setor de atuação, importante definir se você esta disposto a criar sua empresa do zero ou partir para uma Franquia. Eu optei por uma franquia pelos seguintes motivos:
      • Marca já estabelecida com produto/serviço testado e aprovado
      • Processos e sistemas definidos: esse é o ponto básico de qualquer franquia. Processos bem estruturados, sistema testado que comprovadamente funciona.
      • Rápida implantação e retorno relativamente mais rápido. Como minha ideia não era me dedicar exclusivamente ao negocio, esse ponto era muito importante para mim.
  • Qual segmento irei atuar?
    • Próximo passo escolher o setor. Pesquisei muito e no final fiquei entre Varejo e Alimentação. Eu optei por escolher o setor de Alimentação por ser um setor menos suscetível a crises (você pode deixar de comprar roupa nova, mas precisa comer!). Claro que numa crise as pessoas procuram comer mais em casa etc., mas hoje posso dizer com propriedade que esse é um setor bem menos suscetível ao efeito da crise. (no shopping onde tinha meu negocio, a praça de alimentação estava sempre com gente comendo, enquanto que nas lojas muito movimento de curiosos mas poucas compras).
  • Comprar um negocio “rodando” ou abrir uma loja nova?
    • Como qualquer bom executivo de finanças e administração sempre ando com minha HP12C em mãos! (ok, não necessariamente a calculadora mas um app para iPhone! rs…). O fato é que um estabelecimento aberto possui diversas vantagens:
    • Menor investimento e custo de implantação: como os ativos já estão depreciados e o proprietário ja absorveu todo o custo de implantação, o investimento em um estabelecimento pre-existente é bem inferior ao de começar do zero.
    • Marca estabelecida no local: mesmo sendo franquia, abrir uma loja do zero requer maior investimento em marketing e maior tempo para se tornar conhecido no “ponto”. As pessoas precisam saber que você esta la para poder consumir!
    • Equipe treinada: para mim essa foi uma das maiores vantagens. Uma vez que eu não estaria a frente do dia-a-dia do negocio, manter a mesmo equipe, treinada, foi chave principalmente nos primeiros meses ate eu me situar.

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Escolhas feitas (Franquia no setor de Alimentação, loja já estabelecida), foi hora de procurar pelas oportunidades disponíveis. Diferentemente de imóveis ou veículos, raramente um negocio a venda terá uma placa de VENDE-SE na porta! Aproveitei minha rede de contatos para sondar o mercado, ate encontrar a oportunidade perfeita!

Os antigos proprietários, iludidos com a oportunidade de se tornarem empresários, haviam comprado a franquia a pouco mais de um ano e conseguiram arruinar o negocio, em um dos principais shoppings da cidade e da região!

Resultado: estavam vendendo por uma fração do que preço que pagaram e claramente abaixo do valor justo.

Uma vez fechado a compra seguiram-se os trâmites burocráticos. Impressionante a quantidade de coisas necessárias para colocar uma empresa para rodar. Como não tinha tempo sobrando contratei um contador para me ajudar.

  • Abertura da empresa: CNPJ, inscrição estadual, inscrição municipal, inscrição no simples. Muita papelada e formulários a serem preenchidos, e claro muitas taxas.
  • Assinatura do contrato com a franquia: apesar de padrão, consegui negociar cláusulas importantes como isenção da taxa de franquia e incentivo nos royalties durante os primeiros 6 meses de operação. Isso permitiu um alívio até as vendas engrenarem.
  • Assinatura do contrato de locação: quem ainda não teve experiência em negociação com shopping se prepare. Esse pessoal é extremamente inflexível, difícil de negociar. As vezes penso que vivem em bolhas e não vêem a crise em que o pais está vivendo. Nesse ponto ajuda ter uma franquia ao seu lado, pois eles conseguem alguma flexibilidade pois possuem outras lojas em outros empreendimentos do mesmo Administrador.

dinheirocrescendo

Negócio rodando, hora de trabalhar marketing e vendas. Nos primeiros meses foquei em divulgar o estabelecimento. Passava finais de semana, feriados e noites trabalhando no caixa para criar um contato mais pessoal com os clientes. Após alguns meses me afastei um pouco da operação para me dedicar à administração, financeiro e controle. A Sra. Executiva teve papel fundamental também na condução do negocio, pois ficava bem próximo da operação e fazia visitas quase que diárias para verificar como estava tudo e se reunir com o gerente operacional.

Utilizei minha experiência profissional para estabelecer indicadores operacionais e financeiros para os gerentes. Implementei sistema de metas com pagamento de bônus mensal de acordo com os resultados.

Os desafios que seguiram foram todos superados graças a dedicação (sim, mesmo sem estar à frente do negócio, dedicava cerca de 20 horas semanais) e muito estudo. Para ser um empresário de sucesso não vejo necessidade de saber tudo, afinal quem sabe tudo? Porém é extremamente importe se cercar de pessoas que dominem as áreas em que você não tem tanto conhecimento. No meu caso, como era meu primeiro negocio, busquei um excelente gerente geral que tinha grande experiência no sistema e modelo da franquia e um gerente operacional que dominava sua área. Os dois me ajudaram a levar o negocio a patamares que a própria Franquia considerou como excepcionais. Meu primeiro ano fechei com vendas 75% acima do ano anterior, melhorei a eficiência da equipe e tornei uma operação deficitária em lucrativa. Consegui payback em 12 meses.

Simpels-Nacional

Muito se fala sobre complexidade do sistema tributário brasileiro. Sempre estive muito envolvido com a área Tributaria como executivo, sendo inclusive responsável pela mesma por quase 5 anos. Dessa forma para mim não foi muito complicado entender o modelo de tributação do meu negocio. Como toda pequena empresa, eu estava enquadrado no SIMPLES. Realmente o modelo de tributação do SIMPLES nacional traz bastante simplicidade na apuração  e pagamento de impostos sobre vendas e folha de pagamento. Para as vendas utiliza-se uma alíquota fixa conforme seu futuramente bruto, e na folha de pagamento utiliza-se uma alíquota única também inferior a aplicada nas grande empresas (INSS e FGTS). Eu particularmente não achava financeiramente bom, pois o modelo considera única e exclusivamente o faturamento BRUTO! No meu caso minhas despesas era relativamente mais altas que um negocio familiar de rua: tinha altas taxas de royalties e o aluguel do shopping era um absurdo (inclusive cobravam 13o. aluguel!). Alem disso nao era possível abater impostos pagos na aquisição de materia-prima.

T-Qualificação

Um ultimo problema que gostaria de ressaltar aqui refere-se a qualidade e disponibilidade da mao-de-obra. Exceto os gerentes, toda a equipe ganhava salário-minimo e sem um plano de carreira nem pacote de benefícios, a lealdade da equipe era mínima! Alguns ate ficavam mais tempo pelo bom relacionamento que tinha comigo e com os gerentes, porem a grande maioria era molecada com seus 18-19 anos, sem muito compromisso. Faltavam muito, saiam para ganhar R$50 a mais por mês, e ainda tinha o grande risco de ingressar com um processo trabalhista. Esse sem duvida foi um dos maiores problemas que enfrentava, ate mesmo mais que os impostos. Todo o desgaste e custo para recontratar e treinar os novos funcionários. Meu turn over era próximo a 100% (o que significa que todo ano era como se tivesse uma equipe inteiramente nova!). Por incrível que pareça esse índice ainda considerado abaixo da media, que gira em torno de 150-200% no setor! Apesar da fama do Brasil em relação a processos trabalhista, minha media era de apenas 1 processo por ano, se considerarmos o índice de rotatividade esta muito bom. Creio que ter um bom relacionamento com a equipe e manter sempre o respeito ajuda bastante tanto no turn over quanto no risco de processo trabalhista.

De forma geral minha experiência empreendendo no Brasil foi boa,  com altos e baixos, mas digo novamente que para empreender precisa ter perfil alem de muita dedicação.

Em breve irei postar sobre “Empreender no Canada”, onde colocarei as diferenças e semelhanças dos dois países no quesito burocracia, facilidade de fazer negocio, mercado consumidor, impostos, mao-de-obra, etc.

E você? Tem perfil empreendedor? Jáempreende? Deixe seu comentário!

abraços!

6 comentários sobre “Empreender no Brasil

  1. Sr IF365

    Me corrija se eu estiver errado, mas sempre tive a impressão de que o patrão trabalha mais que o empregado… mas também entendo que investir energia nos próprios sonhos é completamente diferente de investir nos sonhos dos outros. Essa sempre foi uma grande frustração minha, trabalhei a vida toda com a sensação de que me matei para que o meu patrão pudesse aproveitar a vida. Não acho que um dia terei meu próprio negócio, mas só de saber que não mais trabalharei nos sonhos dos outros já é um alivio… na verdade eu até gostaria de trabalhar algumas horas por semana em uma cadeira de fast-food por exemplo, só pra matar o tempo e lidar com pessoas, emprego bem simples e que não exigisse grandes responsabilidades, se tivera aceitando currículos me avisa, mas para trabalhar 2 vezes por semana….rs

    Sr. IF365
    http://www.srif365.com

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    1. executivoinvestidor

      Ola Sr IF! Então eu optei por pagar um gerente, acabei dando sorte pois ele tinha um postura bem de dono, mas no geral você está certo. A preocupação do dono sempre será maior pois o funcionário dando lucro ou não terá seu salário no final do mês! Mas a satisfação de trabalhar para você e ver resultado de cada esforço diretamente é gratificante. E por vir sim que arrumo um lugarzinho para você! Rsrs. Abraço!

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  2. umdiameaposento

    Ótimo post. Auto-conhecimento é na minha experiência a qualidade mais importante para o empreendedor e muitas vezes renegada, inclusive nos cursos de pós-graduação. Apesar do “relativo” baixo número de problemas trabalhistas o maior problema é este fantasma constante sobre a cabeça do empresário. Boa sorte e sucesso !!

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    1. executivoinvestidor

      Concordo com você em relação ao auto-conhecimento, muito bem colocado! E em relação a problemas trabalhista está certíssimo! Sempre pensávamos duas vezes em como mandar embora para não deixar o funcionário “magoado” e entrar na justiça, pois infelizmente no Brasil na grande maioria das vezes funcionário entra na justiça pro lado pessoal. Obrigado!

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